Navio do 20 de Fevereiro arriou pela última vez a bandeira

A Madeira não volta a ver o Cacine. O mais antigo navio-patrulha da Marinha Portuguesa não voltará a ter a baía do Funchal por moldura e as águas entre a Madeira e as Desertas e as Selvagens por chão.

O Cacine, feito para sulcar os rios de África, como os nove irmãos mais novos que surgiram nos anos seguintes, passou à história esta quinta-feira. Para as estatísticas, restam o Cuanza e o Zaire, os últimos dois resistentes desta odisseia de quase 50 anos, desde que a 6 de Maio de 1969 o Cacine foi aumentado ao efectivo dos navios da Armada. Ontem, na Base Naval do Alfeite, decorreu, com a presença de alguns antigos comandantes, a cerimónia de entrega de comando e de arriar dos distintivos nacionais, passando o navio ao estado de desarmamento.

Esteve empenhado em várias missões, das quais se destacam as operações realizadas no âmbito do acidente no Porto Santo, em 1990, com o navio “Aragon”, o dia em que a costa daquela ilha se vestiu de negro e, anos mais tarde, em 2002, numa missão de contenção de combustível dentro do porto da ilha dourada. Também esteve no afundamento do “Prestige”. Há também outras ligações muito fortes à Madeira: o acidente com o avião da TAP no aeroporto da Madeira, em 1977, o temporal de Outubro de 1993 e o inesquecível 20 de Fevereiro de 2010, a maior aluvião de que há registo no arquipélago.  Mais recentemente, em 2016, foi de bordo desse navio que foi evacuado Francis Zino, através do helicóptero EH101 da Força Aérea Portuguesa, para receber tratamento hospitalar.

O NRP Cacine, com o número de amura P1140, não voltará à Madeira, a não ser que seja o escolhido para um dos futuros recifes artificiais planeados para a costa sul da ilha. Será bem vindo, mas mais do que isso, será bem recordado por todos os que ali embarcaram, serviram ou simplesmente viram, no porto do Funchal, durante muitos anos.

Ao serviço dos portugueses e da Marinha, navegou mais de 38.000 horas de navegação, tendo percorrido em milhas náuticas o equivalente a 14 voltas ao mundo. A bandeira nacional não voltará a ser vista a bordo…

PARTILHAR:Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedInPrint this pageEmail this to someone